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A Iluminação como Vetor de Transformação de uma Cidade

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Localizada na região metropolitana de Cascavel, no oeste do Paraná, Cafelândia é uma pequena cidade de cerca de 18 mil habitantes, com economia predominantemente agrícola em função da fertilidade natural de seus solos. Notabilizada por sediar a Cooperativa Agroindustrial Consolata, ou Copacol, uma das maiores cooperativas do Brasil e líder no segmento da produção de suínos e aves, a cidade recentemente transformou o seu cenário e deu os primeiros passos para, no futuro, tornar-se uma cidade ainda mais integrada, conectada e inteligente.

 

Em 16 de novembro de 2020, toda a iluminação pública da cidade foi reinaugurada após a substituição de 2700 pontos de iluminação convencionais por iluminação LED. Antes de falar sobre os impactos positivos desta substituição na vida dos cafelandenses, sobretudo em termos de segurança e qualidade de vida, é importante compreender o que é uma smart city, ou cidade inteligente. Quem explica é Ana Figueiroa, Gerente da Unidade de Negócios, especialista no assunto e integrante da equipe da Omexom, empresa francesa responsável pelo projeto:

 

“A possibilidade de desenvolvimento de uma cidade inteligente é baseada em dois grandes aspectos: o avanço tecnológico, que hoje permite agregar ferramentas para a melhoria das infraestruturas urbanas e sua gestão, e a busca por sustentabilidade, tanto econômica como ambiental e social. Quando uma cidade opta por aplicar a tecnologia para alcançar a sustentabilidade, ela abre a porta para começar um caminho de cidade inteligente.”

 

Mas como um projeto de iluminação pode representar um passo nessa direção? A resposta vai muito além do que as pessoas geralmente imaginam. O uso de LED reduz a poluição luminosa e dá mais clareza à visão, porque tem um índice de reprodução de cores muito melhor que o das lâmpadas convencionais. Desta forma, o primeiro impacto direto é permitir que as pessoas enxerguem mais nitidamente cores e traçados. Este conforto visual é acompanhado de ganhos em segurança e qualidade de vida. Como a maior parte da população de Cafelândia trabalha na Copacol, que funciona 24 horas por dia, é grande a demanda por espaços públicos que possam ser frequentados à noite. De acordo com Ana Figueiroa:

 

“A sociedade de Cafelândia não recebia em qualidade luminosa aquilo que gastava em energia.  A baixa luminosidade, além do desconforto, pode agravar problemas em vários âmbitos: falta de segurança, pequenos furtos e eventuais ocorrências de violência. Hoje sabemos que o bom uso do espaço urbano é um dos principais aliados no combate à violência e no fomento do desenvolvimento dos jovens, que os utilizam para a prática de esportes. As praças de Cafelândia ganharam vida nova e hoje podemos encontrar muito mais famílias e crianças à noite.”

 

Contudo, é importante destacar que todos estes benefícios dependem da boa qualidade dos LEDs. No caso do projeto desenvolvido pela Omexom, as luminárias de LED têm uma garantia de cinco anos, durante as quais a administração pública não terá custos com substituições de materiais. Compare-se isso à vida útil das lâmpadas convencionais, que é de um ou dois anos. Sem mencionar a eficiência energética de 60%, ou seja, Cafelândia gasta hoje em energia elétrica para iluminação pública apenas 40% do que gastava anteriormente e os recursos economizados podem ser investidos em outras melhorias na infra-estrutura da cidade.

 

“O próximo passo depois da substituição das luminárias é usar essa rede elétrica, que é muito capilarizada, para instalar instrumentos de auxílio na gestão do espaço urbano. Pode-se ganhar ainda mais em eficiência energética dimerizando ou diminuindo a iluminação nas avenidas fora dos  horários de pico, assim economizando no consumo. Também é possível criar uma rede de comunicação para a cidade, adicionando controladores e medidores importantes. Um exemplo seriam os equipamentos de monitoramento de enchentes, drenagem e controle de qualidade do ar. É possível também instalar medidores pluviométricos, ou de nível da água nos bueiros, ou mesmo um medidor de encostas. As informações geradas por esta rede interligada vão para um centro de controle, permitindo que o município aja com mais celeridade e potencialmente salve vidas.”

 

Uma cidade que opta pelo caminho da tecnologia e da sustentabilidade tem uma gestão mais eficiente, mais econômica e, principalmente, mais inteligente, sendo capaz de tomar decisões baseadas em dados de acordo com suas necessidades específicas. Se tiver níveis de poluição preocupantes, pode instalar monitores de qualidade do ar e fechar certas ruas, mudando o fluxo de trânsito. Se houver problemas recorrentes de alagamento, pode intervir no sistema semafórico e redirecionar o trânsito para evitar danos maiores. Até mesmo sensores de ruído podem ser utilizados para detectar ocorrências, ajudando a polícia a chegar com mais agilidade até o local. As possibilidades são muitas, mas o importante é que as cidades estejam com suas infraestruturas preparadas para que as ferramentas de gestão e operação do espaço urbano sejam instaladas no sentido de atender às suas demandas particulares, e não há dúvidas de que este caminho começa pela iluminação.

 

Com a substituição de sua iluminação pública, Cafelândia inaugura um novo ciclo de desenvolvimento, inspirando outras municipalidades e mostrando que, mesmo em cidades de pequeno porte, é possível modernizar as infraestruturas urbanas e abrir portas para uma nova etapa na gestão pública.